quarta-feira, dezembro 06, 2006

Crack, a primeira vez



Hoje após o almoço caminhei pelo centro de Porto Alegre passando em frente à prefeitura e cruzando o Largo Glênio Peres em diagonal, como quem vai para a rua Otávio Rocha. Pensando na vida e completamente distraído, ao passar pela entrada do Chalé, ali pelas escadarias que separam o largo com a praça do Chalé um alvoroço me roubou a atenção.

Jovens ali sentados, rindo, brincando uns com os outros. Nenhum com mais de 16 anos, certamente. Fazendo o que fazíamos na infância, empurando-se e fazendo graça de um ou outro e todos rindo. Apenas um mais afastado, olhando a todo minuto para trás como se não quisesse perder nada da brincadeira, mas concentrado em outra questão.

Não eram 13:30h ainda. O rebuliço dos camelôs em suas bancas e o comércio de CDs piratas a mil, pessoas indo e vindo e o menino concentrado, limpando um pequeno pedaço de celofane esbranquiçado, passando o dedo freneticamente para que o resto imperceptível caísse num improvisado cachimbo feito cano e joelho de PVC com uma tela fina de metal levemente vergada para dentro na outra mão, junto com um isqueiro vermelho.

Passei, vi e não processei a imagem imediatamente. Cruzando o camelódromo de céu aberto da rua Marechal Floriano que me deu o estalo. Foi um choque quando me dei conta que o menino de uns 12 anos no máximo estava fumando crack em pleno Largo Glênio Peres em Porto Alegre. Não era na TV e nem em outra capital, era aqui mesmo. Um choque de realidade.

A propósito, onde anda a FASC?





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3 comentários:

Claudia Cardoso disse...

Preocupada em levar cabeleireiros e manicures às comunidades populares de POA. Faz parte de um dos seus projetos assistenciais. É sério, mas, na verdade, este projeto aconteceu no primeiro semestre Não sei se ainda existe.

Claudia Cardoso disse...

Passo quase todos os dias neste camelódromo, alvo de severas críticas dos lojistas em tempos de PT. (Não sei se eles se acomodaram, ou são silenciados pela mídia que blinda o Fumaça.) Ainda não tive a infelicidade de ver crianças fumando crack, mas já senti cheiro de maconha naquela região em plena lus do dia. Duas coisas me chamam a atenção neste espaço: o aumento considerável de vendedores ambulantes, o que torna insuportável circular pelo local, tudo atravancado, com cordames das lonas perigosamente esticados, e o aumento de moradores de rua na parada central de ônibus ao lado do mercado. O Poder Público está ausente, justamente em áreas que sempre foram criticadas pela oposição da Frente Popular. Quanto ao sumiço do Fogaça, fonte fidedigna afirma que ele despacha na Tristeza, mais precisamente, na rua Copacabana, na casa que foi sede do Conselho Tutelar. A conferir e, quem sabe, fotografar.

Stanis Fialho disse...

Faz quase quatro anos que a mídia "denuncista" e "fiscalizadora" se transformou em três engraçadinhos macaquinhos. Aqueles do "não vejo", "não ouço" e "não falo". E pode ter certeza que continuará assim por mais quatro anos em relação ao estado e no mínimo mais dois em relação a capítal.