domingo, janeiro 14, 2007

Mais algumas ironias sobre o caso Jungmann





JUNGMANN É INOCENTE ATÉ QUE SE PROVE O CONTRÁRIO



Paulo Henrique Amorim

Máximas e Mínimas 82



. O fato de a Procuradoria da República pedir o indiciamento de Raul Jungmann e mais oito não significa que eles sejam culpados.

. Não se deve, portanto, falar em “Ali Baba e os oito ladrões”, porque, até o veredicto da Justiça, eles são inocentes.

. Jungmann foi eleito deputado federal pelo povo de Pernambuco e tem direito a fórum privilegiado – o Supremo Tribunal Federal.

. O fato de ele ser suspeito de embolsar recursos públicos através de uma agência de publicidade não significa que ele tenha dado inicio a um “mensalão” no Governo Fernando Henrique.

. Não se provou que havia um “mensalão” no Governo Lula, nem que isso, agora, caracterize um “mensalão”, uma mesada a um ministro, no Governo de FHC.

. Se o processo for ao Supremo Tribunal Federal e a questão cair na mão de um Ministro indicado pelo Presidente Fernando Henrique não se deve suspeitar que o Ministro do STF queira “proteger” Jungmann. Ao entrar para o Supremo, os ministros perdem a “paternidade” e só devem prestar contas à Lei.

. Se o processo judicial demorar – como demora tudo na Justiça brasileira – o presidente Fernando Henrique Cardoso não deve deduzir que há impunidade.

. Também não se deve dizer que o Governo Fernando Henrique assistiu “à maior corrupção da História” da República, com o affair Jungmann, as ambulâncias superfaturadas, Daniel Dantas, compra de votos para a reeleição.

. Nem os economistas da Casa das Garças seriam capazes de medir “a maior corrupção da História”.

. O pedido de indiciamento de Jungmann não significa que o Presidente Fernando Henrique soubesse de uma eventual roubalheira e olhasse para o outro lado. Não cabe acusar o ex-presidente de “fingir que não via” – não há nenhum indício de que a roubalheira – se a Justiça se convencer que houve – ultrapassou o âmbito da relação Jungmann / Medina.

. Da mesma maneira, o pedido de indiciamento do empresário Abel Pereira na questão das ambulâncias superfaturadas no Ministério da Saúde, no tempo de Fernando Henrique Cardoso, não significa que José Serra e Barjas Negri sejam culpados – e que Fernando Henrique olhava para o outro lado.

. É preciso esperar a Justiça se manifestar.

. Da mesma forma que os petistas acusados de receber dinheiro de forma irregular do publicitário Marcos Valério não podem se defender com o argumento de que são vítimas da perseguição histórica aos representantes dos fracos e oprimidos, o deputado Jungmann não deve menosprezar o trabalho da Procuradoria da República com o argumento de que é vítima do trabalho heróico de tentar viabilizar uma candidatura da “terceira via” à Presidência da Câmara.

. Como diria o filosofo Juarez Soares, uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa.

. A única coisa líquida e certa no episódio da ligação do Ministro Jungmann com o publicitário Medina é: quem tem telhado de vidro não deveria jogar pedra no vizinho.





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Um comentário:

Anônimo disse...

Que nada! Os melhores apedrejadores são, sempre foram e sempre serão os vizinhos com telhado de vidro! Quem há de discordar?