sexta-feira, março 02, 2007

Computador e o diabo do respeito


Cada louco com sua mania e tenho muitas. Uma em especial se refere ao computador, sou da geração que fez a migração do 100% analógico para o digital, portanto um anacrônico multimídia. Hoje o PC é a antiga mesa ou escrivaninha com os nossos trabalhos catalogados em várias gavetas e tal.
A nova geração já nasceu digital e não faz idéia do que eu falo e são um tanto sem noção com relação ao micro dos outros. Uma ocasião ao retornar de uma reunião daquelas que o único encaminhamento foi chamar outra, com uma duração que parecia uma década e eu atrasado em todos os cronogramas, eis que flagro um ente bulindo o meu PC.
Era um magrão cheio de espinhas e sentado na minha cadeira, manuseava o mouse com uma agilidade de desenho animado, numa fração de segundos clicou o botão direito no desktop e alinhou todos os ícones à esquerda e já ia mandar ver quando berrei. Berrei sim, aquilo era uma nova versão da invasão huna! Não sei se foi um som, um impropério ou algo mais primitivo que isso.
Costumizo todo meu PC, as pastas, o alinhamento dos ícones, cores, Office, o browser, etc. Tudo com uma lógica cartesiana, internet e mails à direita, lixo embaixo à esquerda, softwares por importância de cima para baixo à esquerda, barra auto ocultável em cima e assim por diante.
Se fosse a minha mesa, ninguém cogitaria em tocar nas pastas ou inverter seus locais! Pegar o grampeador ou mesmo uma singela lapiseira seria uma quebra grave de conduta. Estes regramentos morais foram repassados ao computador.
Mas lá estava eu e o estagiário espinhento e invasor. Não permiti sequer que ele se justificasse, teve e colocar todos os ícones nos seus exatos lugares, sair da sala e entrar de novo, se apresentar e dizer o que pretendia fazer. Era coisa do diretor administrativo, dar uma geral nos PCs para "pegar" material impróprio (pirataria, putaria e etc) , o cara era um burocrata daqueles que usa gravata e cara amarrada para parecer sério. Seria uma boa briga.
Achei a saída! Onde estava o memorando, perguntei. Sem memorando ninguém olharia nenhuma máquina no meu setor, afinal eu nem conhecia o rapaz! A pergunta foi de tal maneira perturbadora para o adolescente (como que ele não tinha um memorando!), que saiu voando me dando toda a razão. Nunca mais o vi e que saiba não fizeram a tal vistoria.
Mas a questão é, como alguém pode mexer em algo tão íntimo como o nosso PC!? É como passar fio dental em público, teóricamente possível, mas socialmente inaceitável.

2 comentários:

Marco Weissheimer disse...

Eu tenho esse problema aqui em casa, com nossa empregada. Sempre é motivo de pânico a entrada dela no escritório e suas iniciativas de organizar fios, tomadas e computadores. Sinto-me como Virgínia Wolff, no filme As Horas, que tinha medo dos empregados. É um horror....

Leandro Rodrigues disse...

Boa, Agente! Bem nessas. E boa saída...