terça-feira, novembro 14, 2006

Este Brasil....

Esta saiu na coluna do Fernando Albrecht hoje, genial!
Sobre este terremoto de 6,7 pontos na Escala Richter, sentido em 12 unidades da federação, cabe uma lembrança. Em 1977, aconteceu algo parecido em São Paulo. Prédios racharam em alguns bairros e apesar do balança-mas-não-cai, a TV Gazeta, se não me engano, acompanhou ao vivo a frenética visita que o governador Miguel Colassuono fez à Faculdade de Geologia da USP. A duras penas, acharam o responsável pela área de sismologia, um cientista chileno. De olho nas câmeras, Colassuno perguntou de quantos graus fora o terremoto.
- Terremoto não, tremor. Mas depende. Na Escala Richter ou na Mercalli?
- Tanto faz - disse o governador.
- Tanto faz não. A Richter mede a quantidade de energia liberada e a Mercalli, que vai de 1 a 12, mede só os estragos na superfície. Pode ser baixo na Richter e alto na outra escala ou vice-versa.
Pacientemente, o chileno ainda explicou que a Escala Richter era logarítmica na potência 10.
- Tá bom, na Richter então. O máximo é 9, não é?
Veio outra na pleura. Aliás, duas. Primeiro, o chileno disse que o máximo era 9 porque fora o maior já registrado, não havia limite, ao contrário da Mercalli. Além do mais, não tinha como saber antes do recebimento dos observatórios chilenos. Motivo: os sismógrafos da USP estavam quebrados. Colassuono então deu uma de otimista.
- Felizmente o Brasil está livre de terremotos, certo?
Veio outra porrada.
- Como é que vocês sabem? Não tem nem sismógrafo...
O governador paulista então ensaiou uma prudente retirada, mas não sem antes ouvir a derradeira observação do cientista chileno.
- E tem mais: no único lugar em que já se registrou um terremoto no Brasil vocês inventaram de construir uma usina atômica, a Angra.
Por essas e por outras que o Brasil tem mais sorte que juízo.

Um comentário:

Barbara disse...

De tal absurda parece até uma crônica do Veríssimo....