sexta-feira, agosto 03, 2007

ZH não faz mea culpa


Deixe que falem, que digam...

Hoje na página 5 de Zero Hora no especial sobre a investigação do acidente da TAM em Congonhas, uma revelação inédita:
A falta de grooving (ranhuras transversais na pista para a drenagem) e a chuva, apontados como possíveis causas do acidente logo após a tragédia, não foram determinantes para o acidente, porque não houve derrapagem.
Ou seja, toda a cobertura do jornal até ontem era facciosa e não passava de especulação cujo objetivo era atingir o governo Lula utilizando o acidente como pretexto. Como a versão era melhor do que a prudência e os fatos, na verdade a ZH não foi a única a embarcar nesta canoa furada. Não houve imprensa que tenha feito cobertura minimamente decente deste episódio. Nem no exterior.
Muito embora o babaca do Humberto Trezzi não deve ter lido as novidades sobre a caixa preta e continua escrevendo na linha anterior, pois afirma o jornalista que "Vai sobrar também para o governo federal (...) por ter entregue a pista sem o adequado sistema antiderrapante". Risível, amanhã ele vai negar tudo o que escreveu hoje. Deve ter ficado irado com a redação de ZH que esqueceu de avisá-lo que a linha da investigação mudou.
A tentação de ligar este acidente da TAM com o acidente da GOL e a greve dos controladores de vôo, somados ao desespero dos números da pesquisa que em junho apontavam com 50% de ótimo e bom e 33% de regular para o governo Lula e em ascensão, provocou o absurdo visto na cobertura da tragédia.
O desespero da oposição e das elites com a possibilidade concreta de haver mais um governo popular de esquerda no Brasil leva a conspirações. Se a via eleitoral se mostra nada favorável, a opção é buscar a instabilidade do governo a qualquer custo. Foi isto o que se viu neste último período.
E aqui, a mídia tem papel fundamental pois afinal de contas tanto esta pesquisa, como o movimento que se formou no auge da crise (o tal Cansei) foram capitaneadas pelo centro do poder empresarial (FIESP, CNI, etc..). Estes barões são os principais anunciantes dos jornais e noticiosos da TV, portanto têm na mídia um leão adestrado a seus serviços. Assim funciona a coisa.
Daqui há alguns meses aparecerão de forma esparsa editoriais buscando reparar a dignidade perdida pelas redações neste episódio, à exemplo do casal acusado de abuso em uma creche de São Paulo, lembram? Pois é, só que agora a vítima da injustiça não é um cidadão, mas o governo.


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2 comentários:

Claudia Cardoso disse...

Tens razão, Agente: a primeira sensação que que me veio à mente, ainda no dia 17 de julho, foi a indecência que eu via na TV. A coisa toda foi escandalosamente indecente. Como os fatos destroem com a sacanagem e a mídia é obrigada a noticiar, ainda passam por "bonzinhos": são reconhecidos como aqueles que dão as notícias!!! É impressionante como a memóira de quem afirma tal absurdo é curta! Mas deixa estar, quando ficar feio pro lado da TAM, a responsável pela tragédia, logo,logo a notícia será outra e não se ouvirá falar desse terrível acidente. Preparemo-nos para outra baixaria, tal como alertou a Chauí.

Rodrigo Becker disse...

Tinhas razão: não gostei de como tu trataste o repórter. Não dá para ofender alguém no pessoal porque ele não compartilha de tuas posições políticas ou profissionais. Se foi de caso pensado que ele fez, então não tem ética, mas isso não o torna um babaca.