sexta-feira, junho 15, 2007

Zoneamento e Pão com Banana

A preocupação era com o atraso no lanche

Acompanhei duas audiências públicas da FEPAM sobre o Zoneamento para a Silvicultura realizadas em Alegrete e Santa Maria nos dias 13 e 14 respectivamente. Estas audiências foram exigidas pelo Ministério Público Estadual e constam no Termo de Ajustamento de Conduta realizado devido a irregularidade dos plantios de eucalipto realizado sem licenciamento em todo o estado e com anuência do governo Rigotto.

As chamadas "papeleiras", mutinacionais européias, compraram propriedades rurais no interior do estado à rodo e logo em seguida, como o zoneamento ambiental realizado, se constatou que muitas das áreas adquiridas estavam em áreas com restrições e condicionamentos para o plantio. Criou-se o impasse, as empresas adquiriram áreas inadequadas, não estavam recebendo licenciamento para novos plantios e não conseguiam regularizar as já efetuadas.

O projeto das papeleiras para o estado é semelhante ao implantado na Argentina e Uruguai, plantio desenfreado em grandes maciços, processamento e produção de pasta de celulose que será exportada. Ou seja, todo o processo "sujo" fica aqui e a parte "boa" será realizada na europa. Pouco ICMS será realizado, pois exportação não gera este imposto, nós ficamos com os tocos, com a poluição e com o dano ambiental de plantar exóticas em larga escala.



As Audiências

A Força Sindical uniu-se as papeleiras de forma escandalosa, seus dirigentes acompanhados de suas esposas compareceram nas audiências e trouxeram sua tropa de choque que agem como o antigo MR-8. Cerca de dez ônibus foram fretados de operários das empresas papeleiras, pagos para se manifestarem e comportarem-se bovinamente. Havia até maestros orientando quando aplaudir ou vaiar conforme as manifestações ocorriam. Uma baixaria. Todos entravam em fila indiana e havia um coordenador por ônibus, se retiravavam para o lanche de forma quase militar e organizados. São os famosos Pão com Banana.

Em Alegrete, dizem que identicamente a Pelotas, os "sindicalistas" da Força se postaram na entrada do Clube Caxeiral no calçadão, onde se realizou a audiência, e não permitiram a entrada de ninguém até que todos deles tivessem entrado e se credenciado para falar. Ou seja as primeiras vinte ou trinta inscrições eram TODAS contra o zoneamento e à favor do plantio de qualquer jeito. Não conseguiram fazer o mesmo em Santa Maria, pois a Brigada Militar não permitiu que se utilizassem dos "corredores poloneses".

Os xingamentos aos técnicos da FEPAM presentes e ao trabalho realizados era de um baixo nível assustador e contrário à tradição altaneira dos gaúchos. Diziam se tratar de um trabalho ideológico (?) e ridículo (!). Poderia ser hilário se não fosse trágico. Aludiam a vontade de expulsar os investimentos, de mentirem para iludir a população e etc. Contaram com reforços de estudantes de engenharia florestal cujos professores realizam pesquisas à soldo das próprias papeleiras, imaginem a posição defendidas por estes jovens.

A insistência destas empresas em descumprir a legislação e buscar burla-la de forma sistemática, o grau de comprometimento de deputados com financiamentos de campanha, o dinheiro despejado para "mobilizar"opiniões favoráveis e a forma ostensiva de manipulação da mídia mostram que os objetivos da papeliras são, no mínimo, suspeitos e que a sociedade gaúcha deve estar muito alerta sobre como as coisas estão sendo conduzidas e o papel de cada um neste processo.

O zoneamento é a única garantia de maior sustentabilidade e de preservação do nossos recursos naturais para as próximas gerações.





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2 comentários:

Carlos disse...

Obviamente que sou contra o tipo de manifestação que foram feitas nas audiências públicas. Mas é preciso que se diga que a proposta de zoneamento não obteve a aprovação sequer do grupo técnico que a analisou dentro da SEMA. Grupo este, criado por portaria ainda no tempo da Vera. Muita falha legal e técnica foi encontrada na PROPOSTA.

A proposta, como foi apresentada pela FEPAM, desagradou qualquer pessoa que pensa no desenvolvimento da Metade Sul, pois não sobra nem um metro quadrado para plantação de floresta por aqui. E isso, obviamente, não está correto. Quem defende o bioma pampa, deveria estar preocupado com a preservação dele, já que praticamente todo foi tomado por vossorocas, capim anoni, cupinzeiros... minha posição é que se obrigue as empresas florestadoras em RECUPERAR a vegetação original nos 20% obrigatórios de APP e mais alguma medida de compensação nos 30% restantes, já que a floresta não será superior a 50% de cada área. Isto faria com que houvesse um retorno de parte do bioma pampa.

Anônimo disse...

Este zoneamento é uma vergonha para o Rio Grande do SUl. Meia dúzia de vermelhos se reuniram para produzir um trabalho embasado em dados dos anos 70, passando por cima do Código Florestal Brasileiro, da Consttiuição... E ainda querem dizer que sobram 9 milhões de hectares para a silvicultura!!
E ainda aparece esse Buckup, que é doutor em crustáceos, querer dizer que entende de eucaliptos, quando seu mais importante "trabalho científico" se resumiu a chupar trexos de um texto da Science e deturpar as informações. Façam-me o favor!