terça-feira, abril 29, 2008

Lenda urbana


Visto na mão

Meu pedido de visto americano não vai na linha das histórias que se contam, tinha horário marcado e em cerca de duas horas estava voltando para o hotel. Fui esperando o pior dos mundos e a coisa correu bem diferente, pra melhor.
Saí do hotel às 6:30 da manhã e sem saber o horário que estaria de volta, já fiz o check-out e depositei as malas na recepção. Peguei um taxi e fui em direção do consulado.
O prédio é grande em um terreno imenso e arborizado próximo ao shopping Morumbí. A fila inicia do lado de fora onde os guardas fazem a primeira triagem, só entram os que tem horário marcado. A partir do portão inicia a fila em zigue-zague e onde selecionam os que tem horário mais cedo, passando por um detetor de metais e uma triagem nas bolsas e mochilas. Todos os celulares são desligados e entregues aos seguranças, assim como qualquer coisa que "tenha fios" (mouse, carregadores, máquinas fotográficas, acionador de alarme, etc). Notebooks não são aceitos no recinto e devem ser depositadas num buteco em frente que faz tudo, de fotos à preenchimento de formulários.
O segundo estágio é numa área coberta e aberta com muitos bancos, como numa igreja. As pessoas vão se acomodando em ordem de chegada e por horário de marcação. Conforme as pessoas vão sendo atendidas, todos levantam e se reacomodam em ritmo rápido. Cerca de quatro atendentes de jalecos vão orientando as pessoas, conferindo os dados dos formulários e os documentos.
Os guichês têm cores distintas, um para apresentaçõa dos documentos (formulários e passaporte), um para a pré-entrevista e outro para a entrevista, são cubículos à prova de balas onde a atendente fala por microfone com as pessoas, não há contato pessoal, apenas através de um vidro. Ao apresentar os documentos recebe-se um protocolo numerado e novamente aguarda-se o chamado. Na pré-entrevista são tiradas as digitais de todos os dedos das duas mãos e os formulários já foram analisados e aprovados pelo staff ao fundo.
Novamente tem-se de aguardar o chamado para a entrevista. Individualmente, em casais ou famílias inteiras se postam na frente do guichê e por telefone a entrevistadora pergunta ao marido ou pai informações contidas nos formulários, tipo: emprego, empregador, se conhece alguém nos EUA, e outras frugalidades. Dois minutos depois sou informado que o visto foi aceito e que devo pagar o Sedex para receber de volta os passaportes com o visto em casa.
Basta preencher o guia dos correios e pagar cerca de R$ 20. Terminou, para mim foram duas horas e sem percalço algum.
Acredito que muitas das histórias sobre o visto tem um pouco de lenda urbana. Eles triam as pessoas que vão para os EUA para morar e viver clandestinos, querem ter certeza que se tem dinheiro para a viagem e que se pretende voltar, quem não tem profissão e não tem vínculos aqui no Brasil, certamente terá o visto negado. Soube de um rapaz que não levou por ser recém formado e tocar em uma banda e outro que não tinha renda declarada.
O atendimento é atencioso e foi o único lugar que conheço que até os seguranças são boa praça, todos são muito solícitos e respondem a perguntas de todos. Os idosos tem tratamento diferenciado e os casos de vistos especiais também (conidados do governo americano, entidades, etc). Tive a impressão de uma forte burocracia que opera e funciona razoávelmente.
Não sei se poderei ir este ano, mas no próximo certamente. Alguns parceiros querem ir junto, mas ainda nem fizeram o passaporte brasileiro.... Vamos ver.

Um comentário:

claudia cardoso disse...

Que bom, conseguiste! Mas impressiona o aparato de segurança: quem deve, teme... :-)