segunda-feira, março 30, 2009

Nem o PT lembra


Já foi tarde!

Tenho acompanhado atentamente a produção teórica no PT sobre o governo Lula, as análises políticas e econômicas permeadas pela crise internacional. Em geral as análises são honestas e pouco críticas.
Ouvi estes dias uma manifestação de Maria da Conceição Tavares, a deputada petista portuguesa que sabe muito de economia, na Universidade Cândido Mendes no Rio de Janeiro.  Conceição falou com a sua cara de poucos amigos e fez a platéia rir várias vezes, embora tenha dito que o momento é preocupante. Referiu-se a marolinha de Lula que se transformou num tsuname, naquele momento ninguém sabia ao certo a profundidade do problema e ainda agora poucos arriscam dizer a dimensão e duração da crise.
Conceição se disse perplexa com o resultado da política ultra conservadora do governo brasileiro, que acabou por nos defender dos horrores da crise internacional, afirmou que nunca imaginaria que a rigidez dos juros o alto controle do sistema financeiro e o superávit primário pudessem ser o elemento fundante da estabilidade brasileira. Mas foram.
Segundo a economista a saída da crise cíclica passa pelo fortalecimento do mercado interno com mais crédito ao consumidor e aumentos reais para a baixa renda e queima da gordura da taxa de juros. Países desenvolvidos não podem mais baixar suas taxas de juros e não dispõem de políticas viáveis nesta área. O Brasil tem de sobra.
O PAC é um programa estrutural, não anti ciclo. Ela aponta que outras políticas keynesianas devem ser adotadas e pediu encarecidamente que o BNDES pare de emprestar dinheiro público para empresas privadas demitirem funcionários, "é tiro no pé", disse arrancando aplausos da petezada.
Mas tanto Conceição como outros esquecem de um tema importante nas eleições de 2001. Naquela época FHC e a imprensa brasileira batiam sistematicamente na tecla da ALCA. Serra, candidato de FHC, prometia maior alinhamento com os EUA e que a ALCA era o futuro das américas, à exemplo do México. Serra como se sabe perdeu as eleições e Lula assume em 2002 abandonando a agenda da ALCA.
Lula diversificou mercados. Buscou a ásia (China e Índia) para aumentar as exportações brasileiras naquele continente, e abriu espaços inéditos no mundo árabe. Hoje, o resultado daquela política trouxe ao Brasil uma carteira de comércio exterior muito mais diversificada e menos dependente dos EUA.
Caso Serra tivesse ganho, exatamente o contrário teria acontecido. A nossa dependência de exportação com os EUA seria ainda maior, `a exemplo do México e estaríamos completamente quebrados, à exemplo daquele país. Lula acertou em cheio na política internacional e fez do Brasil um país altaneiro com protagonismo comercial nunca antes imaginado. Os liberais erraram e feio, agora se escondem em suas tocas e pregam keynesianismos para ajudar as empresas "amigas". Nós temos a obrigação de lembrar a todos, inclusive ao PT, que Lula exterminou a discussão da ALCA. Ainda bem!!


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3 comentários:

Remindo disse...

Belo post. Assino embaixo. Parabéns.

Oscar disse...

Muito bem lembrado, a direita e seus veículos de comunicação tem memória seletiva proposital. É fundamental relembrar a população sobre esses fatos.

César Bento disse...

Bem lembrado. A política externa do Lula, que volta e meia é atacada pela direita é uma das coisas que mais deu certo nesse governo.