segunda-feira, maio 26, 2008

São Lourenço


Paisagem do Taim é impagável


Em março agendei pelo SESC um hotel para passar o feriado de Corpus Christi em São Lourenço. Nunca tinha ido a esta cidade e só passava ao largo indo para Pelotas e Rio Grande. Alguns amigos e conhecidos falavam de sua tranqüilidade e beleza, mas na época estava procurando endereços mais agitados.
Peguei a estrada pela manhã e segui em direção sul. Eldorado, Guaíba e Camaquã. Paramos no caminho duas vezes, a segunda para passear em Camaquã onde encontramos vestígios da cidade colonial com casarios bem conservados e museus restaurados. A igreja matriz, prefeitura, câmara, o cinema Coliseu e a casa do General Zeca Netto, são os pontos altos do passeio. Sem dúvida, um belo lugar para conhecer.
Almoçamos na estrada 20 km antes de São Lourenço, nada de mais, mas a máxima de que restaurantes em beira de estrada só são bons quando lotados de caminhões é a mais pura verdade. O farto buffet com verduras variadas e pratos quentes saborosos e novos ou espeto corrido para os carnívoros.
São Lourenço me surpreendeu. Imaginei um daqueles municípios da metade sul do estado que por não possuírem qualquer indústria estão na miséria, muito pelo contrário. São Lourenço do Sul surpreende pela limpeza das ruas de meios-fios pintados, obras de pavimentação em dois ou três locais e a obra de um calçadão mostram uma cidade pujante. A orla com praias amplas para a Lagoa dos Patos é toda arborizada com plátanos que estão com as folhas envelhecidas dando um tom avermelhado. Muitos garis varrendo a areia para remover as folhas resultando numa paisagem de pura contemplação.
Passeamos de barco, o Vento Negro (argh! amarga lembrança do poeta), que circundou por uma hora tanto a lagoa como a foz e um pequeno trecho do rio que dá nome à cidade. Era pelo São Lourenço que Garibaldi fugia das embarcações imperiais que o perseguiam na lagoa, mas não podiam seguir além da foz do rio devido ao grande porte dos barcos e Garibaldi usar apenas os menores. O mais incrível é o preço do passeio. Menos de um ingresso de cinema, R$ 8,00!! Show, vale a pena mesmo.
À noite fomos a uma birosca na beira da lagoa e comemos traíra frita e camarões. Uma delícia que acompanhado de vinho e muito papo fez da noite o fechamento perfeito da jornada.

CHUY
Saímos cedo pela manhã em direção à Chuy, a cidade uruguaia que faz divisa com Chuí no extremo-sul do Brasil. De São Lourenço seguimos em direção sul e a primeira localidade é Turuçu. Além da rima fraca, Turuçu é a capital brasileira da pimenta vermemlha! Imaginem, deve existir uma cidade país afora que é a capital da pimenta branca. E eu poderia ter morrido sem saber isto.
Passamos batido por Pelotas e Rio Grande, este trecho da estrada é muito movimentado com caminhões lentos e longas extensões sem poder ultrapassar. Após Rio Grande a estrada passa a ser uma reta sem fim com campos palnos e ocasionais banhados pelos dois lados da estrada. O ponto alto é mesmo os 15 km dentro da reserva do Taim. Na reserva a quantidade de aves aumenta consideravelmente e se avista do carro as famílias de capivaras, o casal e quatro a cinco filhotes. Parar o carro para fotografar não as espanta, mas basta abrir a porta para sumirem no capinzal.
Muitas carcaças de animais na estrada de lado à lado, com os urubus e carcarás se banqueteando com a comida farta. No local a velocidade deve ser reduzida e existe até pardal com o intuito de preservar ao máximo àquelas espécies. Vários gaviões plannado sobre a estrada preparando o bote contra algum rato desavisado e garça à espreita de um furtivo lambari descuidado. O Taim é uma benção.
Chuy continua o faroeste que vi há 16b anos atrás. Algumas ruas foram pavimentadas, mas a maioria continua em saibro e os shoppings são decadentes, embora tenham melhorado e muito a qualidade dos produtos ali oferecidos. Nada de compras pesadas, aproveitamos apenas para comprar presentes pros meus pais que estão fazendo 50 anos de casados dia 31 de maio e algo pro sogrão de niver por estas datas. Comprei queijos, que no Uruguai são fabulosos, lata de 5 litros de azeite de olivas e reabasteci minha adega de bons vinhos chilenos e argentinos.
Os eletrônicos e as roupas esportivas são o "must" no free shop. As pessoas pagam fortunas por abrigos e japonas e justificam pelos preços praticados no Brasil, não me surpreende que muita gente usa estes trajes em restaurantes, afinal pagam caro por eles. Os eletrônicos não têm muita variedade, mas procurando se acha de tudo, TVs, sons de casa e de carro, notebooks e etc. Tem de tudo, mas a qualidade nem sempre é a melhor.
O brabo é pegar na volta mais 300 km do mesmo e em linha reta. Mas o consolo é que a velocidade de cruzeiro pode ficar pelos 120 sem stress. Na volta chegamos em São Lourenço e tentei procurar um local que transmitisse o jogo do Grêmio na Tv à cabo. Negativo, nada. Estava tudo fechado ou passando o jogo do Inter na TV aberta, cheguei a pensar em entrar. Logo começaram os comentários sobre o gol de Léo e percebi que se tratava de ambiente hostil e que logo iria me incomodar. Fui pro hotel assitir novela tomar vinho e descansar para o retorno de amanhã.

Um comentário:

Paulo Augusto disse...

Caro Agente:

Pois São Lourenço estava a caminho daquilo que cheastes a imaginar: uma cidade ffantasma, ao estilo das muitas da Metade Sul. Mas na última eleição, numa campanha com poucos recursos, mas com uma militância aguerrida o PT ganhou a Prefeitura e mudou um histórico de administrações de direita, mudando principalmente o astral do povo da cidade e implantando uma administrtação que investiu pesado na cidade.