O anônimo não gostou e reclamou! Aqui vai a resposta.
Sabe, jamais imaginei que as prévias do PT fossem provocar tantas manifestações apaixonadas. Minha opinião reproduzida aqui no Agente parece ter ofendido companheiros, não era a intenção.
Avaliar a derrota de Rossetto pela ajuda da maioria nacional é um reducionismo e uma tentativa de não permitir uma análise mais profunda. A maioria nacional já vinha ganhando espaço e isto se mostrou na prévia, várias zonais já sinalizavam uma guinada ao centro. A maioria nacional sempre teve o RS como uma pedra no sapato e sempre tentou se fortalecer por aqui com todas as suas estratagemas conhecidas, mas antes nunca havia dados certo. Porque agora funcionou?
Bem, se alguém conseguir responder esta questão objetivamente terá equacionado o processo inteiro. Maria do Rosário está há longos anos trabalhando para chegar a prefeitura, não há reunião do OP ou de Centro Comunitário que ela não esteja presente. A sua atuação na área social, fiscalizando e cobrando ações do poder público é indiscutível. As pessoas conhecem Maria do Rosário e já conversaram com ela em alguma oportunidade, tem uma grande empatia e tem fama de brigona (o petista adora este perfil).
Rossetto esteve muito tempo na grande política, um dos quadros mais capacitados do partido e dos dirigentes mais confiáveis da sua geração. Fez uma campanha para senador fantástica, quando iniciou a TV as pesquisas mostravam ascensão, quanto mais ele falava mais as pessoas conheciam ele e passavam a apoiá-lo. Infelizmente não conseguiu a vaga de senador, mas foi uma linda batalha.
Creio que o forte envolvimento da campanha de Miguel com as correntes organizadas do partido e através delas fez sua organização, foi o seu calcanhar de Aquiles. O PT não tem mais a organicidade na sua base com há alguns anos, é comum os diretórios estadual e municipal de Porto Alegre não darem quórum. As correntes não mais se preparam teoricamente ou sequer se reúnem, praticamente não existem mais, são apenas referencias teóricas genéricas. Os petistas em sua maioria estão espalhados por aí, soltos.
Um amigo de Porto Alegre foi visitado em casa três vezes para votar na Rosário. Chamavam ele pelo interfone! Imaginem o militante que se recolheu depois dos episódio nefastos pelos quais passamos, afastado do partido e meio fulo com a tudo, sendo visitado com uma proposta de roupagem nova, o apelo feminino, e tantas outras coisas bem utilizadas pela turma da Rosário.
Só dinheiro não explica o sucesso. Sem organização e dedicação os resultados não aparecem. Foi como a vitória do Juventude contra o Internacional. Objetivamente impossível de acontecer, mas factível para quem não desiste. (Desculpem a fraca analogia com o futebol).
Acalmem-se os exaltados e tirem as lições desta derrota. Vamos para a rua fazer campanha, pois Fumaça está rindo da nossa cara.
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